
A bolsa de valores brasileira registrou um marco histórico nesta terça-feira, ao fechar acima dos 166 mil pontos pela primeira vez, indiferente às incertezas no mercado internacional. O índice Ibovespa, da B3, subiu 0,87%, encerrando o dia aos 166.277 pontos.
O desempenho positivo ocorreu apesar de uma breve queda pela manhã, que foi revertida com a abertura das bolsas nos Estados Unidos, incentivando a migração de capitais para mercados emergentes. No entanto, no final da tarde, a bolsa desacelerou devido a declarações do presidente Donald Trump, mas recuperou-se graças à valorização de ações nos setores de mineração, bancário e petrolífero.
A alta da bolsa não foi acompanhada pelo câmbio. O dólar comercial encerrou o dia cotado a 5,375 reais, com incremento de 0,3%. A moeda iniciou o dia em forte alta de 5,40 reais, mas desacelerou à tarde.
Tensões entre Estados Unidos e Europa contribuíram para a volatilidade no mercado. O presidente francês, Emmanuel Macron, ameaçou acionar mecanismos de defesa comercial contra os EUA, permitindo à União Europeia aplicar tarifas de até 93 bilhões de euros devido a possíveis sanções comerciais dos EUA, entre elas a reivindicação sobre a Groenlândia. A suspensão do acordo comercial entre UE e EUA pelo Parlamento Europeu, que previa tarifa de 15% sobre produtos europeus, também elevou as tensões.
Investidores buscaram refúgio nos juros altos do Brasil, amenizando a pressão sobre o dólar e a bolsa brasileira. No contexto global, bolsas americanas fecharam em queda expressiva.
Expectativas se voltam agora para a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que discutirá os rumos da Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas.